quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Mulher e Diabetes

A contracepção 

"Um atraso" é o medo frequente de muitas mulheres que vivem sem contracepção segura...O receio de engravidar é, muitas vezes, a razão para não viver tranquilamente a sua sexualidade no dia-a-dia...

A idéia de que não existem muitos métodos disponíveis para a sua condição, impede que muitas mulheres com diabetes procurem uma consulta de planejamento familiar. Hoje em dia isto não é verdade. Além dos métodos não hormonais (por exemplo, o dispositivo intra-uterino e o preservativo), os métodos hormonais evoluíram e muitos são agora seguros em mulheres com diabetes não complicada. A "pílula" (atualmente já de baixa-dosagem) pode ser um bom método numa mulher jovem, que não fume e sem complicações crónicas do diabetes. Existe atualmente uma nova pílula e um sistema de implante que não têm estrogénios, que podem ser a opção para algumas mulheres. 

Acima de tudo, fica a mensagem que há várias possibilidades contraceptivas. A escolha de um método que seja seguro e confortável deve ser individualizado, mas é exatamente para isso que é importante consultar seu médico ou ginecologista.


Os cuidados pré-gravidez

Quando uma mulher planeja engravidar, antes de parar o método contraceptivo que utiliza normalmente, deve realizar uma consulta pré-concepcional (antes de engravidar). Se bem que seja essencial na mulher portadora de diabetes, a verdade é que todas as mulheres a deviam realizar. Serve por exemplo, para diagnosticar doenças que já existem e que devem ser tratadas antes da gravidez, para mudar medicamentos que se tenham de fazer uso regularmente (pará-los subitamente quando se tem um teste de gravidez positivo pode não ser suficiente ou até má idéia...), para vacinar uma mulher que não seja imune à rubéola. 

Estas consultas servem ainda para esclarecer dúvidas e abordar medidas de cuidado geral como, deixar de fumar, modificar hábitos alimentares e de exercício corretos. Vários estudos mostraram que as mulheres que iniciaram sob prescrição médica a ingestão de ácido fólico – uma vitamina – antes da gravidez, e a mantêm ao longo do 1. trimestre de gestação, têm uma diminuição do risco de malformações do sistema nervoso nos seus filhos. E esta é outra medida importante a ser iniciada antes de engravidar.

Na mulher com diabetes, além de todos estas medidas é importante obter um controle glicémico rigoroso – a hemoglobina glicosilada (Hb A1c) deve ter um valor inferior a 7%. Com isto, diminui-se o risco de aborto espontâneo, de malformações fetais e de sofrimento fetal (o risco torna-se quase igual ao da população em geral).
Nas mulheres que tomam antidiabéticos orais, eles devem ser mudados para um esquema de insulina mais adequado. O ajuste da terapêutica deve ser feita em consulta com o seu Endocrinologista.


As infecções sexualmente transmissíveis

São exemplos destas infecções o sífilis, a gonorréia, a tricomoníase, a hepatite B, as infecções a Herpes, a Clamidia, ao vírus do HPV e ao HIV. Os indivíduos com diabetes não têm aumento de risco destas infecções. Contudo, como qualquer outra pessoa devem preocupar-se com a sua prevenção e com o seu tratamento precoce. Além dos efeitos imediatos, existem muitas vezes repercussões a longo prazo. Algumas destas alterações tardias podem ser responsáveis por infertilidade alguns anos após uma infecção que passou despercebida...


O rastreio das neoplasias ginecológicas

Neste grupo é muito importante abordar duas situações em particular: o cancêr do colo do útero e o cancêr da mama. As mulheres com diabetes não têm risco aumentado destas situações, mas tal como qualquer outra mulher devem preocupar-se em preveni-los.

O cancêr da mama afeta mais frequentemente as mulheres a partir dos 40-50 anos e pode ser detectado precocemente através da palpação mamária (auto-palpação e por um médico em consulta) e por mamografias regulares. O exame mamário é contudo um cuidado que deve ser cumprido nas mulheres de todas as idades.

O câncer do colo do útero é freqüente em mulheres mais jovens. Tipicamente este cancêr é antecedido por alterações pré-malignas que são detectadas em citologia (exame de Papanicolau). Quando são tratadas nesse estado evita-se a progressão para o cancêr. Por esta razão, todas as mulheres após iniciarem a sua vida sexual devem ir regularmente (anualmente) a consultas em que é feito este exame.

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