Como a diabetes afeta o coração
Não há dúvida de que as pessoas com diabetes têm mais chances de apresentarem condições que aumentem o risco de infartos. Esse artigo discute essas condições - doenças cardíacas, hipertensão, colesterol alto, coágulos de sangue, derrame cerebral, insuficiência cardíaca e doença arterial periférica - e sua ocorrência entre diabéticos. Ele também explica porque os diabéticos são propensos a certos riscos e que mudanças no estilo de vida eles podem fazer para manter o coração saudável. Começaremos na próxima seção com uma visão geral da diabetes e das doenças cardíacas.Pelo menos metade dos pacientes com diabetes tem hipertensão, a principal causa de infartos
Risco de doença cardíaca em diabéticos Se comparadas à população em geral, as pessoas com diabetes tipo 2 têm de duas a seis vezes mais chance de ter um infarto. Além disso, os infartos tendem a ser fatais com mais freqüência nos diabéticos. Os cientistas não sabem ao certo porque a diabetes parece aumentar o risco de doença cardiovascular, mas estão se formando algumas teorias intrigantes.
Para alguns cientistas, quase todos os pacientes com diabetes tipo 2 desenvolvem resistência a sua própria insulina, de modo que o pâncreas continua produzindo esse hormônio crítico em abundância na tentativa de vencer a resistência à insulina. Existem algumas evidências científicas de que os altos níveis de insulina no sangue provocam mudanças prejudiciais na parede dos vasos sangüíneos que levam à arterosclerose.
Outra teoria sugere que o próprio nível de açúcar no sangue é o culpado. Em todos os seres humanos, uma reação química entre a glicose e as proteínas no corpo produz compostos chamados de produtos finais de glicosilação avançada. O corpo produz quantidades maiores de proteínas glicosiladas à medida que se fica mais velho. Como a diabetes aumenta a quantidade de glicose no sangue disponível para ser glicosilada, as pessoas com a doença tendem a ter concentrações altas de proteínas glicosiladas. Infelizmente, esses compostos ruins podem prejudicar as artérias, facilitando sua obstrução, além de aumentar o risco de uma longa lista de outras complicações comuns da diabetes. O papel das proteínas glicosiladas e o nível elevado de açúcar no sangue na doença cardíaca têm sido assunto de debate.
Risco de hipertensão em diabéticos
Mais conhecida como pressão alta, a hipertensão é uma das principais causas de infartos. A pressão nos vasos sangüíneos aumenta naturalmente quando você faz um esforço ou se exercita. Mas se você tiver hipertensão, a pressão arterial será sempre alta. Embora as pessoas digam que podem sentir a pressão arterial subir quando estão zangadas ou frustradas, a hipertensão realmente não tem sintomas. É por isso que ela é chamada de doença "silenciosa". A pressão arterial cronicamente elevada força o coração a trabalhar mais, o que pode enfraquecê-lo com o tempo. A pressão alta também aumenta o desgaste das artérias.
Pelo menos metade dos pacientes com diabetes têm hipertensão. A obesidade é um fator de risco comum para a hipertensão e a diabetes, por isso, freqüentemente essas duas doenças andam juntas (embora o porquê não seja claro). De acordo com um estudo feito, metade das pessoas diabéticas têm pouco controle sobre sua pressão arterial. A hipertensão também aumenta o risco de outras complicações da diabetes.
Discutiremos porque os diabéticos deveriam fazer o controle de seu colesterol.
Risco de insuficiência cardíaca em diabéticos
Muitas pessoas acham que insuficiência cardíaca é sinônimo de infarto. Embora o infarto possa ser uma causa da insuficiência cardíaca, eles são diferentes. Os infartos ocorrem porque uma artéria bloqueada impede que o sangue chegue ao coração. Quando uma pessoa tem insuficiência cardíaca, entretanto, o coração não consegue bombear um volume adequado de sangue de volta à circulação. Pode-se dizer que o coração ainda trabalha, mas falha ao atender às exigências do corpo.
Além disso, embora os infartos aconteçam repentinamente, a insuficiência cardíaca é uma condição crônica que piora gradualmente com o decorrer do tempo. Os primeiros sinais de problema geralmente são fadiga e falta de ar. E este último pode ficar pior se você deitar. Finalmente, o coração pode ficar tão fraco que não consegue mais levar o sangue pelo sistema circulatório com eficiência. O sangue parado começa a se concentrar nas veias e a causar inchaço, geralmente nas pernas e nos tornozelos, embora qualquer parte do corpo possa ser afetada, especialmente os pulmões. Já que essa doença faz o sangue no sistema circulatório ficar congestionado, geralmente ela é chamada de insuficiência cardíaca congestiva.
Cerca de cinco milhões de americanos têm insuficiência cardíaca. A doença possui muitas causas, incluindo infartos. Mesmo antes do infarto, entretanto, o acúmulo de colesterol obstrui as artérias diminuindo o fluxo sangüíneo e fazendo o coração trabalhar com mais dificuldade que o normal, o que pode enfraquecê-lo. Hipertensão, infecções e outras doenças podem provocar insuficiência cardíaca. Embora a aterosclerose e a pressão alta geralmente acompanhem a diabetes, alguns médicos desenvolveram teorias de que o nível elevado de açúcar no sangue aumenta de forma independente o risco de insuficiência cardíaca. A teoria continua polêmica. Entretanto, não há dúvida de que a insuficiência cardíaca é um problema sério se você tiver diabetes. Homens com diabetes têm risco dobrado de desenvolver insuficiência cardíaca comparado a não diabéticos, enquanto nas mulheres diabéticas o risco de desenvolver insuficiência cardíaca é cinco vezes mais provável comparadas às mulheres não diabéticas.
Os médicos geralmente pedem que os pacientes com insuficiência cardíaca percam alguns quilos e moderem o consumo de sódio e líquidos, especialmente álcool, que poderia piorar a evolução da doença. A insuficiência cardíaca geralmente é tratada com medicamentos prescritos para a hipertensão, incluindo os inibidores da ECA, beta-bloqueadores e diuréticos, assim como o digital, um medicamento muito antigo que ainda se usa hoje em dia para melhora dos sintomas como a falra de ar na insuficiência cardíaca congestiva.
Discutiremos a seguir a doença arterial periférica ou o estreitamento das artérias.
Risco de doença arterial periférica (DAP) em diabéticos
A aterosclerose, o estreitamento dos vasos sangüíneos pela deposição de colesterol com alterações da parede do vaso, é uma conseqüência de vários fatores, entre eles a diabetes e a hipertensão. Embora a aterosclerose nas artérias coronárias seja responsável pela causa número um de morte na civilização ocidental, as artérias (vasos sangüíneos que transportam o sangue oxigenado) do resto do corpo também podem ficar obstruídas. O problema, conhecido como doença arterial periférica, ou DAP, atinge até 12 milhões de americanos, embora somente metade desenvolva os sintomas.
A DAP pode ocorrer nos braços e em outras partes do corpo, mas a maior parte geralmente atinge a região abaixo da cintura. Como o fluxo sangüíneo para os músculos das pernas ficam mais lentos, podem ocorrer dor e câimbra nas panturrilhas, nas coxas ou nos quadris durante uma caminhada. O desconforto acaba se você pára para descansar. Já que a dor vem e vai, é conhecida como claudicação intermitente.
Muitas pessoas que desenvolvem os sintomas da DAP nunca as mencionam para os médicos, achando que um pouco de dor é normal com a idade. Mas com o tempo, a falta de fluxo sangüíneo adequado aos membros inferiores pode levar a algumas conseqüências graves. Pouca circulação às extremidades inferiores pode levar a feridas horríveis, à gangrena e até à amputação de um ou dois pés.
As pessoas com diabetes têm de duas a três vezes mais chance do que as que não têm a doença de desenvolverem a DAP. Na verdade, assim como um diabético, quando você chega aos 50 anos, suas chances são de uma em três, aproximadamente, de desenvolver algum grau de doença arterial periférica. Além disso, quando comparados a outros pacientes com DAP, os diabéticos têm de 10 a 30 vezes mais chance de amputar um pé.
E acredite ou não, essa não é a parte mais assustadora. Os médicos chegaram a pensar na doença arterial periférica como um sinal de perigo - um aviso de que um paciente teria um infarto ou um derrame cerebral. Um estudo descobriu que 70% das pessoas que têm doença arterial periférica também têm obstruções graves nas artérias coronárias. Já outro estudo mostrou que a claudicação intermitente diminui a expectativa de vida em cerca de 10 anos.
A diabetes pode afetar a saúde do coração de um diabético de diversas formas. Manter o coração o mais saudável possível - enquanto controla o açúcar no sangue - é essencial. Fale com seu médico sobre possíveis riscos
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